quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Querido Tempo...

Querido tempo,
Seria possível apagares as minhas más memórias e ajudares-me a dar um rumo à minha vida? Talvez pudesses fazer com que cada minuto pareça uma hora, quando estou feliz... ou talvez pudesses fazer o tempo voar, quando fico presa ao meu passado... ou sei lá... qualquer outra coisa, desde que isso me fizesse sentir melhor! Acredito que assim seria muito mais fácil curar as minhas cicatrizes, ainda tão abertas de tanta mágoa...
Já não suporto mais ouvir o «tic-tac!» - cria uma pressão insuportável na minha cabeça, um frio na barriga e um aperto cada vez maior, maior e maior no coração... dá ideia de que é preciso puxar-te por uma corda, na esperança de que chegue o minuto seguinte livre destas sensações constrangedoras... mas, ironicamente, quando dou por mim, escapaste-me por entre os dedos, sem eu te ter dado o devido valor... dá a sensação que demoras uma eternidade a rodar o ponteiro e, afinal, avanças como quem tem pressa de chegar a qualquer destino. Sinto que estou fora do meu controle!... Mas não quero pensar mais no futuro: tenho medo! Não quero pensar mais no passado: dói demais! E no que toca ao presente, quero aproveitar cada momento da minha vida, para dar cada dia por vencido... Por isso, peço-te por favor, querido tempo: começa a controlar a subtileza do teu «tic-tac!»... preciso da tua ajuda - já não aguento mais um segundo que seja...
Com amor, 
LM.

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