Por
muito que doa a despedida daqueles que nos são mais queridos, fez-me bem
sobrevoar sobre as nuvens e chegar a um outro lugar. Nunca me canso de olhar a
água do Lago Lèman, em Genève, e de disfrutar da paisagem que se projecta
diante dela. Sentar-me sobre o muro de pedra e ficar apenas com uma paz
interior inexplicável. Parece que me “filtra” a memória, fazendo permanecer
rasgos de felicidade no rosto. Tudo se torna tão simples e tão sereno…
Deixa-me
sem a saudade que magoa, sem a amargura dos sentimentos que remanescem no meu
coração, sem os pensamentos que pressionam a mente de modo incontrolável…
Às
vezes, sabe bem mudar de ares! Ajuda a reavivar o espírito e a ocultar o tempo
que já não tem sentido, para além do presente…
Por
muito que queira que esta estadia seja demorada, sei que ela me vai escapar de
um momento para o outro. Quando der por mim, estarei no início de uma nova
batalha. Mas, até lá, deixo as águas vaguearem, o tempo sobrevoar e os momentos
acontecerem suavemente…

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