Às
vezes, tenho medo de viver. Medo de arriscar, de ir à luta, de chegar a um
outro lugar e descobrir que segui a rota errada. Não arrisco com medo de cair e
me magoar outra vez. Não só no amor, mas na amizade, na família, no dia-a-dia:
na felicidade!
Tenho medo de ser julgada, medo de mim própria. Medo de querer sentir-me livre
e, com isso, sentir-me só. Tenho medo de olhares alheios, medo de
auto-reflexão. Tenho medo de sentir frustração, em vez de soltar sorrisos
verdadeiros. Medo de abrir o coração e que isso me devolva o vazio e o abismo.
Tenho, sobretudo, medo de ter medo. Aconchego-me com os braços em torno
das pernas, como quando em criança me escondia sob os lençois, com medo que os monstros da
noite me roubassem o coração. E então, espero que amanheça e que os monstros se vão
embora. Porque este medo, é só às vezes!
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